domingo, janeiro 28, 2007

A História é Sempre Fabricada

A História é Sempre Fabricada

A história não está ligada ao homem, nem a qualquer objecto em particular. Consiste inteiramente no seu método; a experiência comprova que ele é indispensável para inventariar a integralidade dos elementos de uma estrutura qualquer, humana ou não humana. Longe portanto de a pesquisa da inteligibilidade resultar na história como o seu ponto de chegada, é a história que serve de ponto de partida para toda a busca de inteligibilidade. Assim como se diz de certas carreiras, a história leva a tudo, mas contanto que se saia dela.

Claude Lévi-Strauss, in “O Pensamento Selvagem”

sábado, janeiro 27, 2007

A Sabedoria e a Alegria

A Sabedoria e a Alegria

Vou ensinar-te agora o modo de entenderes que não és ainda um sábio. O sábio autêntico vive em plena alegria, contente, tranquilo, imperturbável; vive em pé de igualdade com os deuses. Analisa-te então a ti próprio: se nunca te sentes triste, se nenhuma esperança te aflige o ânimo na expectativa do futuro, se dia e noite a tua alma se mantém igual a si mesma, isto é, plena de elevação e contente de si própria, então conseguiste atingir o máximo bem possível ao homem! Mas se, em toda a parte e sob todas as formas, não buscas senão o prazer, fica sabendo que tão longe estás da sabedoria como da alegria verdadeira. Pretendes obter a alegria, mas falharás o alvo se pensas vir a alcançá-la por meio das riquezas ou das honras, pois isso será o mesmo que tentar encontrar a alegria no meio da angústia; riquezas e honras, que buscas como se fossem fontes de satisfação e prazer, são apenas motivos para futuras dores.

Toda a gente, repito, tende para um objectivo: a alegria, mas ignora o meio de conseguir uma alegria duradoura e profunda. Uns procuram-na nos banquetes, na libertinagem; outros, na satisfação das ambições, na multidão assídua dos clientes; outros, na posse de uma amante; outros, enfim, na inútil vanglória dos estudos liberais e de um culto improfícuo das letras. Toda esta gente se deixa iludir pelo que não passa de falacioso e breve contentamento, tal como a embriaguez, que paga pela louca satisfação de um momento o tédio de horas infindáveis, tal como os aplausos de uma multidão entusiasmada - aplausos que se ganham e se pagam à custa de enormes angústias! Pensa bem, portanto, no que te digo: o resultado da sabedoria é a obtenção de uma alegria inalterável. A alma do sábio é semelhante à do mundo supra lunar: uma perpétua serenidade. Aqui tens mais um motivo para desejares a sabedoria: alcançar um estado a que nunca falta a alegria. Uma alegria assim só pode provir da consciência das próprias virtudes: apenas o homem forte, o homem justo, o homem moderado pode ter alegria.

Séneca, in “Cartas a Lucílio”

quinta-feira, janeiro 25, 2007

Aquarela - Toquinho

Aquarela - Toquinho




Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo
E com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo
Corro o lápis em torno da mão e me dou uma luva
E se faço chover com dois riscos tenho um guarda-chuva
Se um pinguinho de tinta cai num pedacinho azul do papel
Num instante imagino uma linda gaivota a voar no céu
Vai voando contornando
A imensa curva norte sul
Vou com ela viajando
Havaí, Pequim ou Istambul
Pinto um barco a vela branco navegando
é tanto céu e mar num beijo azul
Entre as nuvens vem surgindo
Um lindo avião rosa e grená
Tudo em volta colorindo
Com suas luzes a piscar
Basta imaginar e ele está partindo
Sereno indo
E se a gente quiser
Ele vai pousar
Numa folha qualquer eu desenho um navio de partida
Com alguns bons amigos, bebendo de bem com a vida
De uma América à outra consigo passar num segundo
Giro um simples compasso e num círculo eu faço o mundo
Um menino caminha e caminhando chega no muro
E ali logo em frente a esperar pela gente o futuro está
E o futuro é uma astronave
Que tentamos pilotar
Não tem tempo nem piedade
Nem tem hora de chegar
Sem pedir licença muda nossa vida
E depois convida a rir ou chorar
Nessa estrada não nos cabe
Conhecer ou ver o que virá
O fim dela ninguém sabe
Bem ao certo onde vai dar
Vamos todos numa linda passarela
De uma aquarela que um dia enfim
Descolorirá
Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo
Que descolorirá
E se faco chover com dois riscos tenho um guarda-chuva
Que descolorirá
Giro um simples compasso e num círculo eu faço o mundo
Que descolorirá





segunda-feira, janeiro 22, 2007

O Oculto Vagabundo

(pela primeira vez um pequeno conto em vez de uma crónica, espero que seja do v/agrado)

CONTOS

O Oculto Vagabundo

Isolo-me no quarto. Fecho a porta, desligo o telemóvel e ignoro tudo o que se passa para lá da janela. Ainda que só, não consigo sentir-me isolado. Fisicamente cumpro todas as regras com o objectivo de estar só, mas tenho dificuldades em transmitir essa ordem ao meu pensamento, que ainda anda a “vaguear” por todo o lado. Demora mais e requer outro género de trabalho, o de trazer o pensamento para aquele quarto frio, para fazer- me companhia e em conjunto começarmos um trabalho apurado.

Porque existe a necessidade de qualquer pessoa se isolar num quarto? Os motivos podem ser variados, incorporam-se com o género de pessoas que procuram esta passagem secreta, como que de um julgado com os seus objectivos ou necessidades amplamente estipulados. Uns para estudar, outros para pensarem na vida, e ainda outros para estarem no sossego para descansarem.

Romano queria estar isolado, para se concentrar, pois queria fazer algo que muito apreciava e em simultâneo necessitava, escrever.

Gostava muito de escrever. Estranho era que nunca se sentia à vontade para mostrar a alguém aquilo que desde muito novo ia escrevendo. Sentia falta de confiança em si próprio, achava-se um miserável escritor, daqueles que por muito que escrevesse nunca, mas nunca iria nascer dali alguma coisa com o mínimo de condições para alguma vez ser lido. Também tinha outra ideia, fixa, era que aquilo que escrevia era tão intimo, tão intimo, que só tinha razão de ser para ele, por isso era pessoal e não deveria de interessar a mais ninguém, nem tão pouco deveria de ser visto por qualquer outra pessoa.

Romano, nascera numa época difícil, numa família com dificuldades, mas num esforço conjunto dos seus pais, tivera uma infância feliz, onde o essencial não lhe faltara, e assim concluíra os estudos com notas bastante boas.

Havia uma professora que gostava muito dele, tentara influenciá-lo a prolongar os estudos, porque achava que ele tinha potencialidades para tirar um curso superior e assim poder ter uma vida melhor, bem como a ser talvez mais útil a sociedade e dizia-lhe muitas vezes: «Romano, nasceste para ser psicólogo, vejo-te e sinto-o com muita facilidade, nessa área és como peixe dentro de água». Mas, Romano, não dava muita importância as palavras daquela professora amiga.

Romano estava decidido a ir trabalhar. Cedo arranjou namorada e a mesada já não dava para chegar a todos os desejos que iam aparecendo.

Sara, era uma jovem esbelta e inteligente. Os seus olhos verdes, tinham um brilho cativante e o seu sorriso contagiava qualquer um.

Sara, embora não parecesse, era um ano mais velha que Romano. Fizera vinte e um anos, três dias antes de começar o namoro com Romano. Faziam um belo par, daqueles que é bom vê-los juntos, porque se completavam muito bem.

Após alguma procura, Romano iria começar a trabalhar na segunda-feira seguinte. Tinha finalmente encontrado um trabalho. Era o seu primeiro emprego e o que parecia ser à sua medida. Era um trabalho de administrativo numa empresa em crescimento. Romano era minucioso e calmo, enquadrava-se naquele projecto e também estava em crescimento. O seu salário seria baixo. Inicialmente, esperava.

Aquele fim-de-semana, seria o último que teria antes de começar a sua nova vida de trabalhador. Sentia-o aproximar com grande rapidez e também isso deixava-o nervoso.

Romano no quarto conseguiu escrever numa folha de cetim:

- “Entre quatro paredes viajo imenso, adquiro variadas personalidades e crio um império de oportunidades.

Lembro-me que em tempos entrei num quarto de uma casa distante, numa pequena cidade de um pais longínquo.

Sei que por alguns momentos vivi a vida de outro alguém. Num cúmplice anonimato, com a particularidade de não ter tirado nada. Nem ter acrescentado alguma coisa, como que de estranho nada houvesse.

Nem tão pouco sei porque ando de um lado para o outro sem que seja dono de um milésimo de segundo que seja, sem que seja apenas eu. Não tenho qualquer poder, nem fujo de nada. Viajo tão só como tão triste, sem bilhete nem destino.

Empresto-me a um qualquer corpo que tenha nome e usufruo o que existe em seu redor. Sou um anónimo egoísta. Sou um aventureiro vagabundo deste segredo, prisioneiro que desconhece a sua razão.

Desculpa Romano, nem reparaste que por momentos não eras tu próprio.

Desculpa Sara, apreciei-te em qualquer momento mas nunca dir-te-ei o que realmente aconteceu, porque a ausência de respostas é melhor para ambos. Guardarei simplesmente a tua imagem para todo o sempre, é tudo com que posso ficar, definitivamente.

Boa sorte a ambos”.

Abro os olhos lentamente. Vejo uma escuridão ameaçada por uns raios solares que penetram pelas frestas dos estores. Sinto-me isolado. De todas formas, isolado.

Encontro-me naquele quarto frio. Abro a janela, abro a porta e quase que simbolicamente abro algo mais, que chamam vida.

É Domingo.


sábado, janeiro 20, 2007

Radares em Lisboa

Artigo de Opinião

Radares em Lisboa

Polémico – seria uma palavra ajustada para definir este assunto dos novos radares de Lisboa.

Creio que os automobilistas lisboetas estão com medo, da mudança e da fragilidade do seu bolso…

Este tema, por ser polémico abre várias perspectivas aceitáveis, que poderemos configurar como positivas e negativas.

Esta alteração obriga a um maior cumprimento da lei, no entanto ainda decorrem as afinações dos radares.

É uma política/iniciativa da autarquia com o objectivo de alcançar uma maior segurança rodoviária em devíamos ficar agradecidos.

No entanto, como é uma realização à portuguesa, não deixa de ter um “cunho” caracterizado pela afirmação: a força policial a que pertence não tem conhecimento oficial da colocação dos radares nem dos locais – declarações à agência lusa da subcomissária Paula Monteiro, do Comando Metropolitano da PSP de Lisboa.

É bom recordar que existe um período de adaptação e sensibilização o que é simpático e atenua o choque que uma mudança brusca acarreta.

Depois de o período de tréguas, não há justificações para os “apanhados das velocidades” ao ponto de pudermos ser multados duas vezes pela mesma infracção: ao passarmos na 2.ª circular pelo radar estático (perto de Benfica) e mais á frente (Campo Grande) pelo carro da PSP.

Se é verdade que existe sinalização de limite de velocidade, também é verdade que a lei é para cumprir e a juntar aos 21 radares estáticos existem outros métodos e meios numa verdadeira caça ao infractor, ou seja, começamos a ser civilizados ou o bolso (o “órgão” mais sensível do corpo humano) depressa rompe…

Para já, o trânsito está mais lento (2.ª circular) mas se isso diminuir o número de acidentes, vale bem a alteração, porque bem à portuguesa, “depois de casa arrombada trancas na porta”…

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Nota de Rodapé

Artigo de Opinião

Nota de Rodapé

Quem me conhece, sabe que escrever é para mim um prazer, pois é um momento de inspiração e de criação sublime em que o desafio interior é mais forte e emocionante do que possa transparecer nas linhas que deixo preenchidas.

Quem conhece o que escrevo, sabe que gosto de escrever quando a noite acalma, gosto da companhia de uma música de qualidade e de harmonia (neste momento em que escrevo oiço os Monges Budistas), pois escrever é esta a forma que há muitos anos encontrei para relaxar e “carregar baterias”.

Quem quiser ler o que escrevo, poderá perceber com facilidade que é uma escrita acessível e sucinta, que aborda os temas escolhidos sem qualquer critério específico, de uma forma suave, em que deixa espaço ou um convite para o desenvolvimento, porque o objectivo é apenas abordar um tema e em simultâneo deixar uma pequena marca pessoal, vulgarmente conhecida como opinião.

Quem, já leu ou que comece neste instante a ler pela primeira vez o que escrevo, saiba que não é dado qualquer conceito político, religioso ou científico e é apenas uma opinião pessoal derivada pela forma de ver o tema em questão. Não quero influenciar, prejudicar ou beneficiar e é somente na qualidade de cidadão livre que o faço.

Quem não concordar ou não gostar, saiba que merece todo o meu respeito, porque a sociedade é feita de diferenças.

Quero agradecer-vos por existirem e perderem o vosso precioso tempo a lerem estas simples linhas.

Obrigado

sábado, janeiro 13, 2007

Aborto

Artigo de Opinião

Aborto

No próximo dia 11 de Fevereiro, as portuguesas vão saber com o que é que contam no futuro em Portugal sobre este tema. O país estará em refendo com a pergunta:

"Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?"

Recordo que a primeira consulta aos portugueses em referendo foi em 1998, em que o “não” à despenalização do aborto, ganhou, por uma margem tangencial.

Hoje, nove anos depois, a Interrupção da Voluntária da Gravidez (IVG) tem de ser vista com outro olhar, porque existe mais informação e a sociedade também evoluiu.

A IVG segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) só existe quando o peso do embrião ou feto ultrapasse 500g. Este peso é atingido em torno de 20-22 semanas de gravidez.

Defendo que são as mulheres que devem decidir, defendo que os seus parceiros têm uma palavra a dizer neste tema, e também defendo, que cada caso é um caso diferente, pelo que ter uma medida genérica para uma causa tão extensa é complexo, a ser assim, estou convicto que o “sim” deve prevalecer.

Depois, é hora de acabar com os negócios chorudos e obscuros…

Acredito no bom senso e na evolução cultural dos portugueses, por isso acredito que no próximo dia 11 de Fevereiro de 2007 a abstenção irá ser mínima e o SIM sairá vencedor, será outro grande passo que Portugal dará na integração neste mundo real do século XXI.

Qualquer que seja a sua opinião é respeitada, no entanto não se esqueça de votar.

O seu voto contribui para uma sociedade mais homogénea e actual.

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Queen - Bohemian Rhapsody



Bohemian Rhapsody

Queen

Composição: Freddie Mercury

Is this the real life?
Is this just fantasy?
Caught in a landslide
No escape from reality
Open your eyes
Look up to the skies and see
I'm just a poor boy,
I need no sympathy
Because I'm easy come, easy go
A little high, little low
Anyway the wind blows,
doesn't really matter to me, to me

Mama, just killed a man
Put a gun against his head
Pulled my trigger, now he's dead
Mama, life had just begun
But now I've gone and thrown it all away
Mama, ooo
Didn't mean to make you cry
If I'm not back again this time tomorrow
Carry on, carry on,
As if nothing really matters

Too late, my time has come
Sends shivers down my spine
Body's aching all the time
Goodbye everybody - I've got to go
Gotta leave you all behind
And face the truth
Mama, ooo - I don't want to die
I sometimes wish I'd never been born at all

I see a little silhouetto of a man
Scaramouch, scaramouch will you do the fandango
Thunderbolt and lightning - very very frightening me
Gallileo, Gallileo,
Gallileo, Gallileo,
Gallileo Figaro - magnifico

But I'm just a poor boy and nobody loves me
He's just a poor boy from a poor family
Spare him his life from this monstrosity
Easy come easy go - will you let me go
Bismillah! No - we will not let you go -
Let him go
Bismillah! We will not let you go - let him go
Bismillah! We will not let you go - let me go
Will not let you go - let me go (never)
Never let you go - let me go
Never let me go - ooo
No, no, no, no, no, no, no -
Oh mama mia, mama mia, mama mia let me go
Beelzebub has a devil put aside for me
for me
for me

So you think
You can stole me and spit in my eye
So you think you can love me
And leave me to die
Oh baby - can't do this to me baby
Just gotta get out -
Just gotta get right outta here

Ooh yeah, ooh yeah
Nothing really matters
Anyone can see
Nothing really matters -
Nothing really matters to me

Anyway the wind blows...


domingo, janeiro 07, 2007

Tertúlia dos Sabores II






Artigo de Opinião

Tertúlia dos Sabores II

Mais um sábado, o de 2007/01/06, em que demos continuidade á nossa tradição de bem passear e melhor comer.

O dia escolhido não terá sido o melhor, pois tivemos que passear em paralelo com a segunda etapa do Rali Lisboa – Dakar, pois a nossa escolha foi o Alentejo.

Entre imensos carros e muitas motos paradas nas bermas, entre estradas cortadas pela GNR e por desvios lá chegamos a Melides, para “atacar” o excelente pato no forno, acompanhado por uma batatinha deliciosa e um arroz de miúdos do pato, que só provando… e com um vinho tinto especial alentejano de uma das mais famosas herdades upa, upa!

Para mais, este almoço teve um sabor especial, pois foi fruto de uma aposta feita no anterior almoço de Almeirim, eu conto-vos;

Neste pequeno grupo a rondar a dezena de pessoas, composto por casais, a maioria é de sportinguistas (70%), então não há um benfiquista que apostou (este almoço para todos) comigo em como no jogo Sporting – Académica, em que o Liedson não marcava nenhum golo… primeiro dizia que o Sporting não ganhava, e eu dizia-lhe que ganha e o Levezinho marcava, até que deixamos o resultado de parte e apostamos o golo do Liedson, quem perdesse pagaria este almoço para todos, confesso que fui mais feliz, o Sporting ganhou 1 – 0 golo de Liedson, e já não me lembro de comemorar tanto um golo como aquele e naquele estádio foi definitivamente o mais comemorado por mim, certamente…

O rapaz é benfiquista e suicida, pois neste almoço apostou com outro sportinguista, outro almoço para todos (já está definido o local) em como esta época o Benfica é campeão… se o for ganha e se for outro clube campeão, perde!

Enfim, foi mais um dia bem passado, um reencontro de amigos que numa tertúlia degustam coisas boas da vida enquanto se contam histórias do quotidiano.

Venha o próximo, que a malta aguenta e cá vai vivendo dia atrás de dia…



PS: Neste dia, logo pela manhã, iniciei a minha aventura pelo Yoga, só depois fui ao encontro dos amigos, cada maluco com as suas manias…

quinta-feira, janeiro 04, 2007

EMEL

Artigo de Opinião

EMEL

EMEL – Empresa Pública Municipal de Estacionamento de Lisboa, EM

Logotipo EMEL

Morada: Av. de Berna, 1
Localidade: 1050-036 Lisboa

Telefone: 217 813 600/1/2/3/4
Fax: 217 813 699

URL:
E-mail: emel.ca@emel.pt

Criada por deliberação da Assembleia Municipal de Lisboa de 14 de Julho de 1994 sob proposta da Câmara Municipal de 29 de Junho de 1994.

Promove a instalação e gestão dos sistemas de estacionamento público urbano pago à superfície na cidade de Lisboa.

São órgãos desta empresa o Conselho de Administração e a Comissão de Fiscalização cujos membros são nomeados e exonerados pela C.M.L. no cumprimento de funções tutelares exercidas por esta.

►▼◄

Primeiro como lisboeta e depois como frequentador de Lisboa (embora sejam raras as vezes em que vou ao centro da capital até por trabalhar em Sintra) a noção que tenho dos serviços prestados por esta empresa, é de que deveriam valorizar a vida dos utentes e os espaços da cidade. Na prática não creio que esses objectivos sejam inteiramente cumpridos, pois na questão da valorização dos espaços não haverá dúvidas que o objectivo foi amplamente atingido, basta ver os preços praticados e se não tiver o ticket na viatura como prova do pagamento do espaço que ocupa, prepare-se para a utilização dos “Bloqueadores” – objecto que é colocado no pneu, seguro na jante e que inviabiliza o andamento da viatura, que o mesmo será dizer que tem direito ao pagamento de uma multa de pelo menos 60 €, (que não pode ser paga na totalidade na mesma forma, 30€ em dinheiro e 30€ em cheque ou através do pagamento por Multibanco, porque os valores são para entidades diferentes – preços de 2006), já na valorização a vida dos utentes (dos espaços geridos pela empresa ou seja dos espaços da cidade e dos seus munícipes) entramos em rota de colisão, pois não consigo compreender os métodos e a razão organizacional, logo não posso aceitar a realidade que impõem. Não posso aceitar, e como exemplo, que em todo o espaço circundante de um hospital público com urgências, não haja qualquer local que não seja pago.

Depois, não sei bem, se a relação de preços/tempos, com a possibilidade das moedas a utilizar é uma piada portuguesa das mais fracas ou um humor europeu e/ou ainda uma simples provocaçãocontemplemos:

As maquinas dos tickets aceitam moedas de: 2 € - 1 € - 0,50 € - 0,20 € - 0,10 € e 0,05 €. Os preços/tempos (2006) são:

· 30 Minutos = 0,28 € – ficam com 0,02 € por cada 30 m em cada utente

· 60 Minutos = 0,43 € – ficam com 0,02 € por cada 60 m em cada utente

· 90 Minutos = 0,69 € – ficam com 0,01 € por cada 90 m em cada utente

· 120 Minutos = 0,98 € – ficam com 0,02 € por cada 120 m em cada utente

· 150 Minutos = 1,29 € – ficam com 0,01 € por cada 150 m em cada utente

· 180 Minutos = 1,60 € – até que enfim que há um preço sem troco

· 210 Minutos = 2,07 € – ficam com 0,03 € por cada 210 m em cada utente

· 240 Minutos = 2,52 € – ficam com 0,03 € por cada 240 m em cada utente

(Valores num espaço circundante de m Hospital público com urgências Há diversas zonas e diversos preços)

Obviamente, que a tabela de preços será revista neste ano de 2007, o mesmos será dizer que o aumento é um dado factual, ainda não estacionei em Lisboa no entanto consta que existem lugares que por cada 4 horas se paga 5€.

Quanto ao atendimento, dos funcionários devidamente uniformizados, que encontramos nas ruas também deixa muito a desejar. E a boa maneira portuguesa, a EMEL já subcontrata outra empresa para ajudar a gerir alguns espaços, valha-nos que os funcionários dessa empresa, que assim presta serviços à EMEL, são bem mais acessíveis, educados e compreensíveis.

E o pior é que a brincadeira que começou em Lisboa no ano de 1994, já se está a tornar moda pelo rosto do país.

É bem feita, sim senhor! Temos o que merecemos

segunda-feira, janeiro 01, 2007